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#3 01-03-2020 
Notas semanais sobre vida académica, inovação nos media e indústrias criativas, inspiradas nas 164 "listas de coisas" que Sei Shonagon partilhou no The Pillow Book (Séc. XI). 
Things that create the appearance of deep emotion
The sound of your voice when you’re constantly blowing your runny nose as you talk.
Plucking your eyebrows.

 
(Sei Shonagon’s Lists, The Pillow Book)

COISAS DA ACADEMIA

Ir a conferências científicas partilhar a nossa investigação pode ser das experiências mais recompensadoras ou das mais infrutíferas. Nos últimos anos, fui a cerca de 30 eventos científicos, e ficam de facto muito bem no currículo, mas menos de metade se revelou produtiva. Há dois tipos de conferências que já risquei da minha lista de compromissos: as traidoras e as impostoras. As primeiras são aquelas conferências que prometem ser "grandes" e dar valor ao nosso contributo; no entanto, chegamos lá e há 30.999 sessões paralelas, cada uma com um público resumido aos investigadores que vão apresentar a sua própria comunicação (uns quatro ou cinco, talvez seis); não há também ninguém nos intervalos porque todos se escapam para visitar a cidade depois de apresentarem a sua comunicação. As segundas conferências - as impostoras - são aquelas que aceitam a nossa comunicação (mas acabamos por perceber que aceitaram todas as outras) e somos colocados num painel que nada tem que ver com o nosso tema de investigação (ou às vezes tem, mas acabamos por pensar por que raio nos esforçámos tanto quando o nível de exigência geral foi tão baixo). 

Sobram as conferências que valem realmente a pena. As que chamo de "encontros de proximidade", isto é, pequenas, mas focadas num só tema e com apenas uma sala (e, nesse caso, estabelecemos relações que valem realmente a pena); os "eventos partilhados", isto é, aqueles que juntam académicos e profissionais da indústria, porque só temos a aprender uns com os outros; e os "blind dates com consciência", isto é, aquelas conferências incontornavelmente gigantes, mas que são tão bem organizadas que acabamos sempre por encontrar os pares perfeitos.

Quais são as minhas apostas até julho? O International Journalism Festival 2020, em Perugia, Itália, foi infelizmente cancelado devido ao novo coronavírus (iria decorrer em abril); o congresso internacional "Periodismos Emergentes" (Madrid, 7 e 8 de maio); o Mapping the Magazine 6 (Lisboa, 2 e 3 de julho); o IV Congresso Internacional de Cultura Lusófona Contemporânea, dedicado neste ano à crónica (Portalegre, 4 e 5 de junho); finalmente, a conferência "Comunicação de Cultura e Indústrias Criativas", cuja primeira edição decorre a 28 de maio na NOVA FCSH, organizada num formato inovador (sobre esta falarei numa das próximas edições).

COISAS QUE LI, VI E FIZ

#1 Ramón Salaverría explica nesta entrevista por que motivo a expressão "jornalismo digital" é hoje uma tautologia e como convive com as outras expressões "concorrentes".

#2 Estes filmes partiram de peças jornalísticas publicadas em magazines. Gosto especialmente destes  (e mais ainda dos artigos):
#3 Já vou a meio do livro "Métodos Digitais - teoria-prática-crítica", coordenado por Janna Joceli e editado pelo ICNOVA. O ebook é gratuito.
 
#4 Gosto muito de ver os especiais do dia escritos no exaustor do Patuá (também gosto de comê-los, mas não fui paga para dizer isto nem quero exercer qualquer influência em relação à alheira de galo, às gambas na frigideira ou à sopa de abóbora). 

COISAS DE CRIADORES: NUNO MADEIRA


Licenciou-se em Arquitetura, mas as noções de perspetiva serviram-lhe para criar outros espaços - os virtuais. Nuno Madeira, fundador da Wide, cria experiências  360º de cidades, edifícios culturais ou música. Mas os óculos de realidade virtual quase sempre ficam de fora.
 
Fundaste a tua própria agência digital, a Wide, em 2008. Foi um impulso ou uma aventura bem pensada?
Licenciei-me em arquitetura. Depois passei pela agência Havas onde tive o primeiro contacto com a publicidade e o digital. Foi lá que comecei a ter vontade de criar um projeto próprio, mas pensei muito antes de dar o passo.  É importante passar primeiro por uma organização e trabalhar dentro da área que depois queremos desenvolver sozinhos. Também é muito importante saber exatamente o que queremos e o que os clientes quererão – não apenas ter o sonho romântico de querer fazer alguma coisa própria ou apenas para nossa satisfação.

A principal dificuldade é implementar os projetos, pois têm de estar a funcionar para que os clientes vejam que é um produto válido. No início da agência, pegava em websites esteticamente mal desenvolvidos e fazia novas abordagens gráficas que apresentava diretamente aos clientes (em vez de um power point com a apresentação da empresa). Foi assim que ganhei os primeiros clientes.
 
Foste dos primeiros criadores a apostar na fotografia panorâmica e nas visitas virtuais 360º como modelo de negócio…
Já havia profissionais em Portugal a trabalhar com fotografia 360º, mas eu consegui adicionar o meu know-how da arquitetura. A primeira visita virtual que desenvolvi foi do Museu da Presidência da República, em 2008, por acaso. Como tinha umas panorâmicas no meu website, uma agência convidou-me a fazer essa visita virtual. Passei um mês no Museu a tirar fotografias para criar panorâmicas. Foi a partir daí que nasceu esta paixão.
 
A maior parte dos teus trabalhos é ligada à cultura ou às cidades. Achas que são as áreas que mais beneficiam da experiência interativa 360º?
São essencialmente projetos ligados ao património porque aproximam de forma imersiva as pessoas de uma cidade, de um palácio, de um teatro, como os que fiz para Monsaraz, a  sala de sessões da Assembleia da República ou o Teatro Nacional de São Carlos.
Na área da música, desenvolvi uma experiência para o Agir – uma adaptação do videoclip 2D para o ambiente 3D, e para o João Garcia Barreto, onde o utilizador consegue explorar letras de músicas e samples dos instrumentais. Tenho também um projeto a decorrer com o psicólogo Diogo António, na área da saúde mental, com o objetivo de melhorar a autoestima.

Qual é a principal diferença entre experienciar vídeo 360º e fotografia 360º?
A fotografia 360º tem extrema qualidade e faz sentido quando os espaços são estáticos. O vídeo 360º é mais imersivo e serve para relatar alguma ação, mostrar como algo funciona ou contar uma história.
 
Tens uma perspetiva muito inclusiva do 360º…
As pessoas estão muito focadas na tecnologia e nas aplicações. Eu estou mais focado na história que quero contar e gosto de disponibilizar tudo no sítio mais acessível, que é um website – acessível no computador e no telemóvel. Não podemos desenvolver exclusivamente projetos para óculos de realidade virtual, porque acabamos por não chegar às pessoas. As experiências têm de ser acessíveis.


 
Enviem sugestões, comentários, receios ou elogios para dorasantossilva@fcsh.unl.pt. Até para a semana!
dorasantossilva.com
 
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