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#9 19-04-2020 

Notas sobre vida académica, inovação nos media e indústrias criativas, inspiradas nas 164 "listas de coisas" que Sei Shōnagon partilhou em The Pillow Book (Séc. XI). 
 
Nesta semana, lanço um desafio aos media, antecipo o futuro dos museus e partilho um projeto que lançou a Pilar no mundo. Enviem sugestões, comentários, receios ou elogios para dorasantossilva@fcsh.unl.pt ou em dorasantossilva.com
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Deeply Irritating Things II

To envy others and complain about one’s own lot; to speak badly about people; to be inquisitive about the most trivial matters and to resent and abuse people for not telling one, or, if one does manage to worm out some facts, to inform everyone in the most detailed fashion as if one had known all from the beginning—oh, how hateful!

(Sei Shōnagon’s Lists, The Pillow Book)

_COISAS DA VIDA ACADÉMICA

#1 Mapping the Magazine A conferência internacional "Mapping the Magazine 6", que seria realizada em Lisboa, na Universidade Lusófona, passou a virtual, o que é uma óptima notícia para quem não tinha recursos para deslocações. Destaco os keynote speakers - James Hewews e Joy Jenkins - e a qualidade das comunicações (fiz parte da comissão que as selecionou). Também terei oportunidade de falar sobre um tema que me diz muito:  "Print magazines in the digital environment: editorial and positioning strategies".

#2  1+ 1 = muito mais.O call for papers da ECREA Journalism Studies conference 2021 cativou-me: o tema é “Journalism studies meets practice” e esperam, além das propostas de comunicação na área do jornalismo na transição digital, propostas para sessões co-criativas com académicos e jornalistas profissionais (já estou a pensar nisto; se algum jornalista ou publicação quiser aliar-se à proposta para estas sessões, contacte-me para dorasantossilva@fcsh.unl.pt).

#3 Ai, ai. Na newsletter passada, escrevi sobre o projeto "Isto é Lisboa", fruto de uma parceria entre a minha faculdade e o Diário de Notícias. Nesta semana, soube que a Direção se tinha demitido e li com dupla tristeza (porque provavelmente não irá concretizar-se) o que tinha visionado para o jornal: uma “organização mais ágil, mais pequena, mais nova e mais barata” e  a ideia de “transformar o DN em fundação, embora ligado à empresa, dedicado à cidade e trabalhando como jornal-escola, com universidades”. Este é o futuro dos media - os EUA já o provam - e a relação com uma universidade é uma relação win-win. Tenho a certeza de que em breve alguém pegará nesta ideia.
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_COISAS DOS MEDIA

#1 Uma petição contra o investimento do Governo em publicidade institucional na comunicação social? Ainda bem que só assinaram, até à data, 95 pessoas (e ainda bem que o minúsculo texto está cheio de erros ortográficos). A essas respondo sucintamente: a comunicação social é o garante de uma sociedade à informação com rigor, à educação, à cultura e ao que se passa no mundo. Se não conseguem ver isso, é porque as vossas vidas se limitam à vossa casa, esquecendo que, na verdade, a "nossa" casa é muito maior do que as nossas paredes - é Portugal, é a Europa, é o mundo. Não só os jornalistas são uma classe desfavorecida, como a comunicação social é um meio para ajudar os mais desfavorecidos, denunciando o que não é justo, dando-lhes voz, ferramentas e mundo. Claro que há maus órgãos de comunicação social, tal como há maus artistas, maus médicos, maus professores. Não coloquemos todos no mesmo saco.

#2 A nossa emergência em 5 pontos. Há pessoas muito especiais não só porque são dos nossos melhores amigos, mas pelo contributo que dão à sociedade. O Germano Almeida (que me introduziu a uma das melhores escritoras de sempre, Ana Teresa Pereira) é a voz mais clara e sistematizada que anda por aí no que respeita à Covid-19 e o impacto na sociedade, em especial nos EUA. Para acompanhar, todos os dias, na sua página do Facebook.(Ainda me lembro de quando estávamos a almoçar juntos, recém-licenciados, a olhar para umas imagens de uns aviões a embater numas torres dos EUA que passavam na televisão do restaurante; na altura, não sabíamos da proporção que aquele ataque ia tomar, tal como não sabemos agora da real dimensão do futuro com ou sem Covid-19).

_COISAS DE MUSEUS

#1 Transformar o nosso mundo através dos museus  O NE-MO - European Network for Museum Organisations publicou um novo estudo sobre museus e sustentabilidade, que resulta da conferência que promoveu na Estónia em finais de 2019. Chama-se Museums 2030 - Sharing Recipes for a Better Future e destaco  o artigo de Tiina Merisalo, diretora do Museu da Cidade de Helsínquia, que fala sobre os quatro papéis dos museus de cidade: 1) promotor de conhecimento sobre a cidade através das suas exposições e atividades; 2) uma experiência da própria cidade; 3) um hub social e local de encontros e partilhas; 4) uma plataforma e facilitador de iniciativas empreendedoras na cidade. 


#2 Impacto do novo coronavírus nos museus europeus e iniciativas inovadoras A mesma organização publicou os resultados de um inquérito sobre o impacto da Covid-19 nos museus europeus. Há também uma lista de iniciativas inovadoras levadas a cabo no contexto museológico.

#3 Ainda falando de museus Um estudo da Oi Futuro e da Consumoteca sobre desafios dos museus brasileiros conclui que as narrativas têm de mudar, fazendo dos museus parte ativa de uma cidade. 
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_COISAS DE CRIADORES: PAULO CASTANHEIRO

A Pilar de Paulo Castanheiro passou a ser também um pouco nossa, a partir do momento em que um vídeo para o Dia do Pai se transformou num dos programas mais vistos da quarentena. A Minha Pilar tem duas das suas paixões: o áudio e a filha.

O som que faz parte da vida
Era muito pequeno, 4 ou 5 anos, quando ouvia, na companhia do meu pai, os sons que vinham do seu velhinho rádio a pilhas, o seu fiel companheiro dos dias que passou na guerra no Ultramar. Nunca me vou esquecer disso. Ouvíamos religiosamente os parodiantes de Lisboa perto da hora do almoço, era um momento fascinante no meu dia. Quase 50 anos depois faço parte da rádio (antigo Rádio Clube Português) onde passava esta novela radiofónica.

O percurso na rádio e no som começa em 1986 quando vejo no jornal a abertura de um concurso para fazer um curso numa cooperativa de profissionais de rádio em Lisboa, a TSF. Vim para Lisboa e nunca mais voltei às minhas origens [Entroncamento], só em visita de fim-de-semana. Depois de 12 anos na TSF, uma família de bons amigos, e em ano de grandes mudanças no mundo, setembro de 2001, mudei-me de armas e bagagens para o Grupo Media Capital onde estou até hoje. Pelo meio fiz de tudo, programas de televisão, som ao vivo, estúdios de publicidade, mas a rádio esteve sempre ali ao meu lado.

Fruto de uma licenciatura, mestrado e a meio do caminho de um Doutoramento [na NOVA FCSH], a rádio e o som continuam na minha vida. Sou um bom exemplo da passagem do analógico para o digital. Hoje estou envolvido em novos desafios, som binaural e tridimensional, experiências imersivas e um futuro incerto, mas magnifico em termos de novos conteúdos áudio.
 
Desafios criativos de um soundesigner
Gravar e editar a voz, escolher o efeito sonoro e a ambiência de um local, misturar com uma boa trilha sonora é o ritmo do meu dia a dia. Pode começar bem cedo ainda em casa, depois pelo iNova Media Lab na NOVA FCSH e a seguir nos Estúdios do Grupo Media Capital Rádios. Ao final da noite, depois de as meninas irem dormir, termino o dia ou começo já a preparar o dia seguinte.
Uma filha especial e um projeto inovador chamado A Minha Pilar
A ideia surgiu em gravarmos um vídeo, no Dia do Pai, para colocar no grupo de whatsapp da escolinha da Pilar. Ela achou piada e gravámos no dia a seguir, depois nunca mais parámos. Fui pedindo a amigos para irem interagindo com ela com questões, dúvidas ou piadas e as narrativas simplesmente foram evoluindo. Depois do Instagram e do Facebook criei um canal de Youtube para todos irem acompanhando o dia a dia da Pilar.

Mais tarde surgiu o desafio da Rádio Comercial em passarmos a fazer parte dos seus conteúdos e aí a “coisa” rebentou. De 100 views diários passámos para números nunca antes imaginados.

Uma mensagem poderosa
A Pilar, uma menina especial, trabalha neste projeto os temas que vai recebendo da escola, competências e estímulos, e treina muito do que aprende nas suas terapias. Pelo meio vamos passando algumas mensagens importantes sobre os dias estranhos que estamos a viver. Alertas, ideias saudáveis de vida e alimentação ou simples brincadeiras. O meu principal e único objetivo com o projeto é a felicidade da Pilar e provocar-lhe todos os dias um estímulo diferente e ela adora. Não tem noção da dimensão que atingiu com “os meus filmes” como ela diz, mas isso também não interessa nada. O giro é os olhos e a emoção não conseguir aguentar com algumas mensagens que vamos recebendo. As pessoas pedirem desculpa, por a Pilar agora também ser deles e que não aguentam um dia sem a ver é muito bonito e sentido de ouvir.
 
Um doutoramento a meio e o futuro do áudio
Não faço outra coisa na vida que não seja pensar nisso. Nem eu nem alguns dos futurologistas (Bem Hammersley ou James Cridland) com quem tenho a honra e o prazer de trocar emails sobre o tema e o meu Doutoramento.

A realidade, simples, é esta. Depois dos primórdios da rádio, vivemos uma segunda época dourada do som e do áudio. Nunca se consumiu tanto conteúdo áudio com tanta qualidade e facilidade de escuta como hoje. Nunca os dispositivos de produção e distribuição áudio foram tão “inteligentes” e sensíveis como hoje. Na minha modesta opinião, é importante, antes de tentar antecipar o futuro, perceber o que está a acontecer no presente e isso nem sempre acontece.
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