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#13 17-05-2020 

Notas sobre vida académica, inovação nos media e indústrias criativas, inspiradas nas 164 "listas de coisas" que Sei Shōnagon partilhou em The Pillow Book (Séc. XI). 
 
Nesta semana, fala-se de jornalismo local, arte urbana "covidiana"  e de voz com a Catarina Pereira Santos. 
[Things about] Cats

Cats should be completely black except for the belly, which should be very white.

(Sei Shōnagon’s Lists, The Pillow Book)

_COISAS DA VIDA ACADÉMICA

#1 O que eu aprendo com os relatórios de estágio enquanto componente não curricular dos mestrados nas áreas da comunicação e dos media... Antes de mais, e porque vem aí outra leva de orientandos, desenganem-se aqueles que pensam que um relatório de estágio é "só" um relatório da experiência do estágio. Eu costumo dizer que é uma dissertação de mestrado com experiência de estágio incluída: os alunos têm não só de relatar criticamente o seu estágio como desenhar um estudo empírico, com perguntas de investigação, metodologia, um enquadramento teórico relacionado com o tema a explorar, apresentação e análise de dados e conclusões. Se quiserem ler alguns e confirmar o que estou a dizer, cliquem nesta lista.

#2 Mas estava eu a dizer que aprendo muito com os relatórios de estágio porque dizem muito, muito sobre as práticas diárias do jornalismo - umas boas e outras menos boas. Nos últimos dias, em contexto de provas públicas que argui, a não-futura jornalista (porque desistiu depois desta experiência de estágio) relatava as 10 horas mínimas de trabalho diário durante os meses de estágio (incluindo fins-de-semana e feriados) e os objetivos quantitativos que tinha de alcançar: mínimo de 20 peças diárias em vários formatos mais não sei quantas tarefas. Ora, ninguém consegue atingir estes números a não ser que entre numa lógica fabril de corte e costura. Isto lembra-me bem a primeira experiência de jornalismo digital que tive (mas há 20 anos) numa plataforma de notícias de um grupo internacional: tinha de escrever 10 notícias (algumas desenvolvidas, mas sem muito desenvolvimento, naturalmente) por dia com base no que lia e via em media internacionais; na altura, nem sequer existia o procedimento ético de colocar o link para a peça original. No final de seis meses a fazer isto di-a-ri-a-men-te desisti (mesmo sendo um trabalho muito bem pago). Felizmente, encontrei nos tempos seguintes projetos muito mais recompensadores. Tenho pena de que esta recém-mestre não tenha tido essa oportunidade.

 

_COISAS DOS MEDIA

#1 É difícil inovar no modelo de negócio quando pensamos em jornalismo local e é fácil perceber porquê: ou o media local é suportado por uma comunidade forte (incluindo leitores, anunciantes, parceiros, etc.) para poder fazer também uma cobertura local aprofundada ou, se essa comunidade não existe, terá de optar por um posicionamento editorial "menos local", alargando a sua cobertura a temas nacionais, o que acaba por ser um contrassenso.  O Nieman Lab apresenta neste artigo quatro formas de financiar "e salvar" o jornalismo local, mas partem todas do ideal de uma comunidade que, em Portugal, ainda não existe. 


#2 O The Texas Tribune é um exemplo de sucesso no que respeita à sustentabilidade no jornalismo local. Desde  que foi lançado, como associação sem fins lucrativos, tem o apoio de doadores que, por sua vez, usufruem de benefícios fiscais. Em Portugal, seria impossível implementar este modelo de negócio, de acordo com a legislação atual. No entanto, há muito que se afirma que, tal como as universidades e outras infra-estruturas, os media são um serviço público, logo devem ter um estatuto específico. Há sete anos, Filipe Alves (editor do Jornal Económico) defendeu a sua tese de mestrado  (que resultou em livro) precisamente sobre fundações jornalísticas e a oportunidade de um novo modelo de negócio para a imprensa. Mas já estamos em 2020 e a conversa ficou por ali. 

 

_COISAS DAS INDÚSTRIAS CRIATIVAS

#1 Stay Sane, Stay Safe. A plataforma foi criada pelos estúdios Lennarts & De Bruijn  e reúne cerca de 1500 posters criados por designers de 73 países para passar uma mensagem positiva em tempos de pandemia. O download é gratuito. Os posters têm sido afixados um pouco por todo o mundo,e m hospitais, lojas e fachadas (como o que está em destaque).

#2 Um bom exemplo de envolvimento dos leitores vem, mais uma vez, do The Guardian. O jornal pediu aos leitores que partilhassem as suas obras de arte urbana favoritas feitas em contexto Covid-19. O resultado é este.

#3 Como o espaço público físico não se compadece com o confinamento, os artistas urbanos portugueses estão a reinventar-se. Estes casos de inovação são reportados nesta reportagem do Público.

#2 A Plataforma SOS Artes promove durante esta semana duas conversas em direto na sua página do Facebook: arte e ciência, terça, 19 de maio, às 18h, e arte e comunicação, 21 de maio, às 18h.

_COISAS DE CRIADORES: CATARINA PEREIRA SANTOS

Começou a dar voz à rádio, em 1996, na Super FM, e levou outras a crescer: a Rádio Marginal, quando mudou de linha musical, a SBSR, desde o início, e a Rádio Amália com quem partilha há seis anos o mesmo fado. 


Uma das tuas maiores criações é, sem dúvida, o que tens feito com a tua voz. Quando é que te apercebeste de que tinhas uma obra de arte em potência bem dentro de ti?

Curiosamente nunca sonhei com isso, ou seja, não foi algo que sonhei desde pequena. Só depois de surgir a possibilidade de ingressar no mundo da rádio, aos 19, 20 anos, é que me apercebi de que era algo em que poderia vir a investir.
 
Neste momento, divides o teu tempo entre três rádios. O que fazes em cada uma delas?
Faço locução na Rádio Amália [92.0], entre as 10h e as 12h, e na Rádio Marginal [98.1], entre as 20h e as 24h. Na Rádio SBSR [90.4, Lisboa; 91.0, Porto], faço também a programação.
 
Já tens uma carreira longa (embora nunca se pergunte a idade a um criador). Que momentos carregas com borboletas dentro de ti?
Em 24 anos de rádio são tantos os momentos que nem sei quais destacar. Mas lembro-me da primeira vez que abri o microfone, aquele nervoso miudinho, que felizmente ainda sinto quando tenho convidados em estúdio ou via telefone); de ter dado voz aos primeiros minutos de alguns projetos, como por exemplo, a Rádio Marginal no seu formato mais recente; a adrenalina, a par da felicidade, ao fazer exteriores em contextos tão diferentes como um programa especial do espaço que habitualmente apresento na Rádio Amália, o Bairro Alto, ou em contexto de festival - seja o Super Bock Super Rock ou o Santa Casa Alfama.

A Rádio Amália é, sem dúvida, um projeto inovador. Aliás, a sua assinatura é “A música é o nosso fado”. Também é o teu?
A música esteve sempre presente desde que me lembro. E sim, não será demasiado dizer que passou a ser o meu fado, pois  todos os dias tenho o privilégio de estar rodeada de música e de a poder partilhar os que me escutam.

 
O fado contemporâneo português tem espaço para alcançar novos públicos?
 Acho fascinante o que o fado tem conseguido alcançar ao longo dos anos - muito da história do fado é a nossa História, como povo e como país. Como género musical temos assistido nos últimos anos a algumas transformações (se assim lhes posso chamar), nunca descurando o tradicional. Acredito até que estes dias estranhos de confinamento possam ter trazido um novo público ao fado, público que ao explorar as redes sociais encontraram momentos de partilha de fado que, muito possivelmente de    outra forma, numa outra altura, não aconteceria.
        
Emprestas a tua voz a mais algum projeto, além de, possivelmente, cantares no chuveiro?
Quando surgem, abraço com igual dedicação projetos pontuais de gravação de voz para tutoriais, publicidade, etc.
Apesar de, há uns anos, um colega de rádio, também músico, ter dito que achava que eu tinha uma boa voz para cantar (sim, é um rapaz muito generoso), não me atrevo a cantar se não tiver música de fundo a tocar bem alto.


Catarina Pereira Santos: Facebook e Instagram
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