Atividade LAH + PPGAS
 
Série Antropologias Modernas/Modernistas: document(o)s 
 
Lorenzo Macagno (UFPR)
Modernismo, pan-africanismo e “novas sensibilidades” etnográficas: a propósito do diálogo entre Franz Boas e Kamba Simango


10 de Novembro | Quinta-feira | 9h
PPGAS | Museu Nacional | Sala Lygia Sigaud

 
Resumo: Kamba Simango nasceu no centro de Moçambique, em 1890. Em 1914, sob a égide dos missionários da American Board of Missions, é enviado aos Estados Unidos para estudar no Hampton Institute, um colégio onde “afro-americanos” e jovens provenientes da África aprendiam ciências, literatura e trabalhos manuais. Em 1919, após finalizar os seus estudos no Hampton Institute, é enviado ao Teacher College, em Columbia, onde permanecerá até 1923. Imediatamente após a sua chegada em Columbia, conhece o antropólogo Franz Boas, de quem se tornará colaborador. Naquele período (1923-1926) Portugal e suas colônias africanas passavam por intensas mudanças. Em 1926 se inicia o chamado Estado Novo. Em seguida, o nacionalismo econômico e cultural promovido pela influência do salazarismo (1928-1968) coloca em primeiro plano os problemas coloniais. Do ponto de vista jurídico, Kamba Simango era um súbdito de Portugal. No entanto, sua experiência nos Estados Unidos o afasta, cada vez mais, do “mundo português” e o reaproxima à diáspora africana de língua inglesa. Os anos de Kamba em Nova York coincidem com o início do chamado Harlem Renaissance, um momento no qual as vozes incipientes do pan-africanismo conviviam com uma plêiade de escritores, poetas, pintores, escultores e músicos negros. Nessa época Kamba se tornará, também, amigo de W. E. B. Du Bois. Em Nova York realizará, também, várias “performances” teatrais para um público cada vez mais interessado na dança e na música negra. Tratava-se do momento, nas palavras de George W. Stocking, Jr., de uma nascente “sensibilidade etnográfica” nos Estados Unidos, em que os jovens aspirantes a etnógrafos participavam, também, do “modernismo cultural” e da boemia do Greenwich Village. Após seu retorno dos Estados Unidos – e com uma breve passagem por Inglaterra e Portugal – Kamba se instala em Moçambique. Não tardarão em chegar as tensões com os missionários protestantes, para os quais trabalhara, e com a administração portuguesa. Nesse interim, Kamba decide se exilar em Ghana onde a liderança de Kwame Nkrumah ganhava cada vez mais protagonismo. Agora, uma nova gramática imperial irrompe no mundo lusófono: o lusotropicalismo de Gilberto Freyre. Trata-se de um período (1950-1960) em que Portugal imaginava, ainda, um “futuro português” para suas Províncias Ultramarinas, incluindo Moçambique. Como entender, nesse contexto, a experiência cosmopolita e “moderna” de Kamba Simango? Qual é o peso que podemos atribuir à influência de Franz Boas nessa trajetória? Ou teriam sido as ideias pan-africanistas de Du Bois as que determinaram seu destino? E que papel tiveram os missionários da American Board? Quais foram as concepções de raça e cultura que mobilizaram a sua experiência? Para abordar esses interrogantes indagamos, sobretudo, um intercâmbio epistolar inédito entre Kamba Simango e Franz Boas.

 
 
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