5 de Maio | 9:30h | PPGAS | Museu Nacional | UFRJ | Sala Roberto Cardoso de Oliveira
 
Seminários do LAH

Mais uma vez, o açúcar: percepções da transformação da paisagem no campo cubano

Carlos Gomes de Castro (Doutorando PPGAS/Museu Nacional)

Comentários: Moacir Palmeira (PPGAS/MN/UFRJ)

 
Resumo:
Seguindo uma das principais rodovias que cruza a llanura de Colón, localizada na província de Matanzas, Cuba, é impossível não perceber a força da cana-de-açúcar, cultivada pelas cooperativas azucareras, como determinam os letreiros pintados em pequenos muros de cimento dispostos em diferentes partes do caminho. A imagem de quilômetros e quilômetros de terras assentados na monotonia dos movimentos das folhas de cana oculta as profundas mudanças sociais e econômicas ocorridas nessa região a partir dos anos 1990, eufemisticamente chamado por Fidel Castro de Periodo Especial. Um tanto quanto asfixiado por essa visão nostálgica (já que remete, inevitavelmente, aos momentos (históricos) em que o açúcar reinou como uma majestade imponente, como dizia Perret), um observador externo poderia cair na tentação de afirmar que o cenário matancero não é marcado pela falência da economia açucareira cubana.  Outros elementos, porém, impedem que essa afirmação seja exposta de modo taxativo. Por vezes, em segundo plano, veem-se as chaminés de centrales azucareros (usinas) que, em plena safra, não trazem nenhum indício de fumaça, pois fazem parte das indústrias que “deixaram de moer”. O Central México figurava, em 2012, como um exemplo de central parado(sem moer), mas com uma diferença em relação a seus pares: voltou a trabalhar exatamente no ano em que realizei minha primeira viagem de campo. A complexa experiência de fechamento e reabertura desse central fornece, de certo modo, uma ponte para analisar a problemática açucareira cubana na contemporaneidade. E é pensando nisso que retomo o seu caso. Não foco meu objetivo, todavia, somente naquilo que foi formalmente produzido pelos grandes organismos estatais. Em vez disso, interesso-me pelos efeitos da produção ou não produção do açúcar na vida daqueles que sempre experimentaram as benesses e agruras advindas de uma usina açucareira. Assim, com base na investigação que levei a cabo durante os anos de 2012-2014, pretendo apresentar e discutir o modo pelo qual alguns de meus colaboradores (cuentapropistascampesinos, trabalhadores açucareiros, trabalhadores contratados, desempregados e aposentados) percebem as transformações da paisagem nas áreas em que vivem, por eles mesmos designadas, dependendo do ponto de comparação, como zona rural, campo. Tal discussão pode trazer à baila pontos importantes para compreender como as pessoas apreciam as leyes (com suas estatísticas, regulamentos, definições e papéis) que conduziram à desativação de muitas indústrias açucareiras e como os cambios operam e são ordenados cotidianamente por aqueles que se mantêm em uma zona considerada pouco dinâmica por parte dos que habitam nas grandes cidades cubanas: tudo se passa como se ocampo fosse uma permanência dos “tempos revolucionários”. Ademais, a reflexão aqui proposta é um interessante meio de adentrar em um tema abordado apenas tangencialmente pela antropologia sobre Cuba.
 
 
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