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Associação R3 Animal - Edição 6

Editorial 

Olá, pessoal! 

Tudo bem com vocês?

Trazemos boas novas com a segunda leva de pinguins da temporada 2020 a ser liberada após passar por reabilitação. Desta vez, 13 aves voltaram ao habitat natural. Entre os pinguins que continuam em tratamento, dois deles receberam implante de micro fragmentos de ouro para auxiliar na reabilitação. O tratamento utiliza a técnica de acupuntura e foi aplicado pelo veterinário Lucas Bianchini, um dos nossos voluntários. 

Você conhece a toninha (Pontoporia blainvillei)? O oceanólogo Emanuel Ferreira conta um pouco sobre as características dessa espécie de golfinho ameaçada de extinção.

Parece repetição, mas não é. Pela quarta vez em pouco mais de um mês nossa equipe precisou translocar lobos-marinhos aparentemente saudáveis para longe de curiosos, que se aglomeraram nas praias e atrapalharam o descansando dos animais.

E para finalizar, no dia 24 de agosto, o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) completou cinco anos de existência. A R3 Animal se sente honrada em fazer parte desta história e em poder ajudar a salvar vidas!
 
Esses são os destaques de agosto, esperamos que gostem desta edição.

Cuidem-se e protejam-se!

Até a próxima! 

🐧🐧 R3 Animal realiza a soltura de 13 pinguins 🐧🐧

Mais um grupo de pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) foi liberado pela R3 Animal, após um período em reabilitação. A soltura aconteceu na manhã do dia 25 de agosto, na Praia do Moçambique, em Florianópolis. As 13 aves soltas haviam sido resgatadas no litoral catarinense entre junho e julho, pelas equipes do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) e reabilitadas no Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM/R3Animal), em Florianópolis.
Das treze aves, sete foram resgatadas pela equipe da Universidade do Estado de Santa Catarina – Udesc/Laguna três foram resgatadas pela equipe da Universidade de Joinville – Univille, na região de São Francisco do Sul e as outras três pela equipe da R3 Animal, nas praias da Ilha de Santa Catarina. Todas são instituições executoras do PMP-BS no Estado.
Este é o segundo grupo a ser liberado desde o início da temporada anual de migração dos pinguins, iniciada em meados de outono e que vai até setembro, quando essas aves começam a fazer o caminho de volta até suas colônias na Patagônia/Argentina. O primeiro grupo, com 20 pinguins, foi solto no dia 3 de agosto. Em 2019, 67 pinguins foram reabilitados com sucesso e soltos pela R3 Animal.
 

Pinguins recebem implante de ouro para auxiliar na reabilitação

Dois pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) em reabilitação na R3 Animal receberam implante de micro fragmentos de ouro para auxiliar na reabilitação. A técnica foi aplicada pelo médico veterinário Lucas Bianchini, da clínica FisioPet São Francisco, e consiste em implantar os fragmentos em pontos de acupuntura. No vídeo, apresentado pelo nosso veterinário Guilherme Guerra, Lucas explica como funciona o tratamento.

Você conhece a toninha (Pontoporia blainvillei)?

Por Emanuel Ferreira*

Você sabia que a toninha (Pontoporia blainvillei) é uma espécie de golfinho endêmica do Atlântico Sul? Ela ocorre apenas no Brasil, Uruguai e Argentina. Sua característica mais marcante é seu rostro extremamente comprido e fino, com uma testa bulbosa.

A toninha é um dos menores cetáceos, podendo atingir até 1,70m, costuma viver em pequenos grupos de dois a cinco animais e tem um comportamento muito discreto, o que a torna muito difícil de ser avistada no ambiente marinho. Ela ocorre em regiões costeiras e se alimenta de peixes, cefalópodes e crustáceos.

Já foram registrados animais com idade máxima de 17 anos para machos e 21 anos para fêmeas, mas somente alguns indivíduos atingem idades superiores a 10 anos. A espécie possui longevidade baixa, comparada com outros mamíferos marinhos como as baleias-azuis (Balaenoptera musculus) que vivem até 80 anos ou os golfinhos-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) que podem viver até 50 anos.

No ambiente marinho, seus predadores naturais podem ser as orcas e tubarões. O hábito essencialmente costeiro da toninha torna a espécie altamente vulnerável a atividades humanas, como tráfego de embarcações, poluição e principalmente capturas acidentais nas operações de pesca (bycatch), mesmo não sendo alvo de pescaria acabam sendo capturadas sem intenção. 

As capturas acidentais são as principais causa de morte da espécie e a toninha é o golfinho mais ameaçado do Atlântico sudoeste. A mortalidade em redes de pesca costeiras é registrada há mais de meio século, principalmente de emalhe, no Brasil, Uruguai e Argentina.

Estudos mostram que em toda sua distribuição morrem em média 2000 toninhas por ano em redes de pesca. E se a mortalidade continuar nestes valores alarmantes os estoques de toninha podem colapsar. Em algumas regiões ao Sul de sua distribuição esse colapso pode acontecer em menos de 30 anos. Encontrar alternativas para diminuir as capturas acidentais é essencial para a conservação da espécie.

A R3 Animal foi responsável pelo segundo caso de toninha reabilitada com sucesso, em 2017. Você pode conferir a história da toninha “Estrela” aqui. Foi a quarta toninha recebida pela R3 Animal, as outras três eram filhotes e não sobreviveram.

*Emanuel Ferreira é oceanólogo, gerente do PMP-BS em Florianópolis, e colabora com o Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (Gemars) no projeto "Abundância e distribuição da Toninha na área de Manejo I (FMA I) por Monitoramento Aéreo".

Parece TBT, mas não é!
Mais uma translocação desnecessária de lobo-marinho

Se as pessoas que avistam um lobo-marinho na praia não se aproximarem, ajudarão a preservar as espécies e não será preciso causar um estresse desnecessário aos animais.

Por dois dias consecutivos, um lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis) precisou ser translocado para longe de pessoas que não respeitavam o distanciamento ideal para o descanso do animal. Na quinta-feira, o caso ocorreu na Praia do Santinho e, nesta sexta-feira, na Praia do Campeche. Essa é a quarta vez, em pouco mais de um mês, que nossa equipe teve que intervir e realocar animais aparentemente saudáveis, que usavam a praia para descanso, causando um estresse desnecessário.

A R3 Animal recebeu um acionamento via telefone 0800 642 3341 do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no início da manhã desta sexta-feira, 11, informando sobre a presença de um lobo-marinho na Praia do Campeche, em Florianópolis. Ao chegar no local, nossa equipe de monitoramento verificou que as unhas de uma das nadadeiras do pinípede estavam pintadas, indicando que se tratava do mesmo animal que foi translocado da Praia do Santinho para outra praia com menor fluxo de pessoas no dia anterior.

Como a presença do lobo-marinho-subantártico na Praia do Campeche atraiu muitos curiosos, que desrespeitaram a área de isolamento e atrapalharam o descanso do animal, optou-se novamente pela translocação do mamífero marinho. Lembrando que o decreto municipal 21.957, de 4 de setembro de 2020, proíbe a aglomeração de pessoas nas praias. A matéria completa você pode conferir aqui.

Outros casos:

No dia 9 de agosto, um lobo-marinho-subantártico também apareceu na Praia do Santinho. O animal estava aparentemente em boas condições de saúde e apenas descansava na areia. Devido à grande quantidade de curiosos que atrapalhava seu descanso, ele precisou ser translocado.

No dia 21 de agosto, um lobo-marinho-do-Sul (Arctocephalus australis) amanheceu na praia da Barra da Lagoa. Nossa equipe avaliou o animal, que também queria apenas descansar, e cercou a área. Durante a tarde, formou-se um grupo de pessoas e cachorros em volta do lobo-marinho e ele precisou passar pelo estresse desnecessário de uma contenção e realocação.

PMP-BS completa cinco anos

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) completou cinco anos no mês de agosto e o aniversário celebra 2,7 mil animais devolvidos à natureza, entre 11,2 mil atendidos e 87,8 mil registrados. A equipe do PMP-BS atua diariamente no resgate de animais marinhos vivos debilitados encontrados na área entre Laguna (SC) e Saquarema (RJ). Em Florianópolis, o Trecho 3, é executado pela R3 Animal.
Em cinco anos, foram 2.070 aves, 89 mamíferos e 602 tartarugas devolvidas aos seus habitats, enquanto 7.574 aves, 1874 mamíferos e 3.522 quelônios foram atendidos. Outros números dão mostra do trabalho, com cerca de 1,5 milhão de quilômetros de monitoramento diário e contribuições para 200 trabalhos científicos, como teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso, resumos em congressos e artigos.
Neste vídeo, produzido pela Petrobras, conta com a participação da coordenadora do PMP-BS em Florianópolis e presidente da R3 Animal Cristiane Kolesnikovas.
Neste vídeo, quem fala sobre sua experiência dos cinco anos do PMP-BS é a técnica de monitoramento, Thaís dos Santos Vianna. Ela também está no PMP-BS aqui na R3 Animal desde agosto de 2015, início do projeto. Thaís fala sobre o dia a dia da equipe de campo. Faça chuva ou faça sol, a equipe de monitoramento está nas praias em busca de animais marinhos debilitados ou mortos. Ela conta um pouco sobre as suas atividades e lembra do resgate marcante de uma tartaruga! 
Rafael Meurer, analista de laboratório, também está desde 2015 no projeto, junto à R3 Animal. Ele e a equipe do Lab são os responsáveis pelos exames de análises clínicas feitos nos animais marinhos em reabilitação no Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM) e nos animais mortos. Neste vídeo, ele conta um pouco sobre as suas atividades e fala do sentimento em trabalhar no PMP-BS e ajudar a salvar vidas!
Janaina Rocha Lorenço, uma das nossas veterinárias, iniciou no PMP-BS na equipe de campo. Neste vídeo, ela conta um pouco como foi sua transição de técnica de monitoramento para a equipe veterinária, onde está até hoje.

O Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM) fica localizado no Parque Estadual do Rio Vermelho, unidade de conservação sob responsabilidade do Instituto do Meio Ambiente (IMA-SC), em parceria com a Polícia Militar Ambiental.

Caso encontre um mamífero, ave ou tartaruga marinha debilitada ou morta na praia, ligue 0800 642 3341, das 7h às 17h. Sua ajuda é fundamental para salvar vidas!

O PMP-BS é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.

O objetivo é avaliar possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos encontrados mortos.

O PMP-BS é realizado desde Laguna/SC até Saquarema/RJ, sendo dividido em 15 trechos. Em Florianópolis, o Trecho 3, o projeto é executado pela R3 Animal.

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